Você já ouviu falar do setor 2.5 da Economia?

Surgido a partir de um experimento de um professor universitário, este segmento da economia busca gerir uma empresa de forma eficiente ao mesmo tempo que esta traga retorno positivo para a sociedade. 

Enquanto o mercado acompanha um crescimento na competitividade entre empresas, a sociedade assiste ao crescimento da desigualdade. Existe algum caminho para amenizar este quadro?

Uma das alternativas criadas foi o chamado setor 2.5 da economia, ou “setor dois e meio”. Combinando a administração empresarial do segundo setor com o objetivo de trazer benefícios à sociedade, este setor, ainda emergente, cresce em todo o mundo. 

A origem do setor dois e meio

Nos anos 1970, o bengali Muhammad Yunus, professor de Economia da Universidade de Dhaka, Bangladesh, observou a dificuldade de famílias pobres do recém-criado país em conseguirem ajuda bancária.

Defendia a ideia de que recursos fossem oferecidos às famílias, mesmo que em pequenas quantidades, para que assim pudessem adquirir materiais e produtos que ajudassem nas atividades que as sustentavam financeiramente.

Dessa forma, Yunus realizou um experimento: concedeu um pequeno empréstimo a artesãs do interior de seu país, para que estas comprassem matéria-prima. Por fim, o grupo de mulheres conseguiu pagar as parcelas e juros dentro do prazo, com uma margem de lucro para o professor. 

Microcrédito e empresa social

Com o sucesso da experiência, Yunus fundou o Grameen Bank, nos anos 80, especializado na concessão do microcrédito – pequenas quantias, com juros baixos e quase nenhuma burocracia para obtenção, que visam ajudar pessoas pobres na geração de sua renda.

O legado do Grameen Bank rendeu o Prêmio Mundial de Alimentação de 1994 e o Nobel da Paz de 2006 para Muhammad Yunus, e é reconhecido como empresa pioneira no setor dois e meio. 

Há três questões-chave que determinam a finalidade de uma empresa 2.5: a natureza humana, a pobreza e a auto-sustentabilidade de um negócio. 

Também é importante frisar a diferença entre empresa social  e ações sociais empresarias. Enquanto as empresas sociais são desenvolvidas com o objetivo de acabar com problemas gerados pela pobreza, as ações sociais são a destinação dos lucros de uma empresa para projetos e iniciativas que beneficiem a população pobre.  

O setor 2.5 da economia no mundo

Duas outras empresas do modelo dois e meio foram fundadas em Bangladesh, desde então: a Grameen Shakti (Grameen Energia), que produz fogões mais eficientes, energia solar, biogás e adubo orgânico para o meio rural bengali desde 1995; a Grameen Danone, fundada em 2006 para produzir iogurte com todos os micronutrientes essenciais para o desenvolvimento das crianças, a um preço acessível. 

No Reino Unido, as organizações Social Enterprise Coalition, de incentivo à pesquisa, e a Social Enterprise Unit, que promove negócios sociais, foram fundadas em 2002. Em 2004, o Ministério da Indústria e do Comércio estabeleceu as formas legais ao conceito de negócio social do país, a Community Interest Company (Companhia de Interesse Comunitário).

A filial do Grameen nos Estados Unidos, o Grameen America, foi aberto no Queens, Nova York, em 2007.

A economia dois e meio no Brasil

O grande exemplo da iniciativa do setor 2.5 da economia no Brasil é a empresa Artemisia, fundada em 2004 com a finalidade de atrair e formar pessoas que atuem nesse novo modelo de negócio.

Apesar dos esforços e resultados efetivos, o negócio ainda caminha lentamente em nosso país, muito em função da já citada confusão entre os conceitos de empresa social e ação social empresarial.

Muitas vezes a competitividade entre empresas que desejam se adequar às exigências dos novos públicos acaba prejudicando os resultados do impacto social que pretendem gerar.

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